Alfred Kelly chama bitcoin de “ouro digital” e diz que empresa pode usar moedas digitais da mesma forma com que processa dinheiro tradicional em sua rede.

Na primeira teleconferência de 2021 para falar dos resultados da empresa, o CEO da Visa, Alfred Kelly, afirmou que a companhia está “em uma posição única para ajudar a tornar as criptomoedas mais seguras” e pretende tornar os ativos digitais “mais úteis e eficientes como meios de pagamentos”.

Para fazer isso, Kelly afirma que a Visa pretende dividir o mercado cripto em dois segmentos, que ele define como criptoativos e criptomoedas. No primeiro, ficariam os ativos como o bitcoin, que o próprio CEO descreveu como “ouro digital”, definindo que o segmento incluiria criptos “que são usados predominantemente como ativos de investimento e não como meio de pagamentos”.

“A nossa estratégia aqui é trabalhar com as wallets e com as exchanges para permitir que os usuários comprem esses ativos com suas credenciais Visa, ou façam saques para suas credenciais Visa, onde poderão comprar com moedas fiduciárias em qualquer uma das 70 milhões de lojas que aceitam Visa no mundo”, disse o executivo.

Sobre as criptomoedas, Kelly afirma que o segmento incluiria as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) e as moedas digitais lastreadas por moedas fiduciárias, como as stablecoins. Para ele, essas inovações no setor de pagamentos podem potencialmente “ser usadas para comércio global como qualquer moeda fiduciária”.

O CEO da gigante de pagamentos também revelou que 35 organizações do setor cripto e blockchain já optaram por emitir cartões em parceria com a Visa, como BlockFi, Fold, BitPanda e Crypto.com. “A parceria com essas carteiras representa o potencial de emissão de mais de 50 milhões de credenciais Visa. “E nem é preciso dizer que, à medida que uma moeda digital específica se torna um meio de troca reconhecido, não há razão para não podermos adicioná-la à nossa rede, que já suporta mais de 160 moedas atualmente”, finalizou o executivo.

Embora algumas dessas parcerias já fossem conhecidas, como é o caso da BlockFi e da fintech brasileira Alter, a possível adoção de criptoativos e criptomoedas para serem executadas diretamente na rede da Visa pode colocar as moedas e ativos digitais em pé de igualdade com as 160 moedas já utilizadas pela companhia em seu sistema de pagamentos, o que certamente impulsionaria a adoção e uso dos mesmos.